Morte, vida e morangos à beira do abismo

Em julho de 2014, morria Rubem Alves, educador e escritor mineiro. Nascido em 1933, em Dores da Boa Esperança, sul de Minas Gerais, Rubem Alves se consolidou como crítico e teorizador da educação, escritor de fábulas infantis, e cronista com vasta produtividade, principalmente após os 60 anos de idade. Além disso, sua habilidade em poetizar … Continue lendo Morte, vida e morangos à beira do abismo

Cora e os becos de Goiás

Cora e os becos de Goiás[i] por Priscilla Lima Nos Poemas dos becos de Goiás, publicados em 1965, Coralina elege como tema personagens e paisagens totalmente esquecidas e silenciadas pela vida urbana. Os becos e seus objetos comuns são poetizados: Espólio da economia da cidade. Badulaques: Sapatos velhos. Velhas bacias. Velhos potes, panelas, balaios, gamelas, … Continue lendo Cora e os becos de Goiás

Poiesis de si

Nesse primeiro post, gostaria de retratar algumas questões levantadas por Aristóteles em “Poética” e no livro VI de “Ética a Nicômaco”. Em sua análise acerca da poesia, Aristóteles ressalta que, diferentemente do historiador, o poeta imita a vida e imita ações. Assim, ao imitar a vida, sua função não é recontar o que aconteceu mas o que poderia acontecer, o que é possível. O poeta recria, dessa forma, a realidade e enuncia verdades universais. A poiesis – cujo sentido se assenta na criação e na fruição estética – aponta para um posteriori, mesmo se baseando em algo que já aconteceu. A elevação e a filosofia da poesia, apontadas por Aristóteles, se fazem presentes justamente na capacidade do escritor em transformar o passado e o presente em possibilidades de recriação do futuro (...)