Poiesis de si

Nesse primeiro post, gostaria de retratar algumas questões levantadas por Aristóteles em “Poética” e no livro VI de “Ética a Nicômaco”. Em sua análise acerca da poesia, Aristóteles ressalta que, diferentemente do historiador, o poeta imita a vida e imita ações. Assim, ao imitar a vida, sua função não é recontar o que aconteceu mas o que poderia acontecer, o que é possível. O poeta recria, dessa forma, a realidade e enuncia verdades universais. A poiesis – cujo sentido se assenta na criação e na fruição estética – aponta para um posteriori, mesmo se baseando em algo que já aconteceu. A elevação e a filosofia da poesia, apontadas por Aristóteles, se fazem presentes justamente na capacidade do escritor em transformar o passado e o presente em possibilidades de recriação do futuro (...)